quinta-feira, 18 de março de 2004

+ cacos de uma história

Depois da nossa separação ela, segundo me disseram, ficou com o seu chefe.
Como ela pôde ficar com aquele cara? Eu nem o conhecia, mas só de ouvir os seus comentários... Aliás, comentários esses que ela fazia na cama, pra mim...

O que será que ela fala de mim pr'aquele idiota? Que a gente já não transava há seis meses... Que ela tava sustentando a casa... Ah, mundo fálico! Porque me capastes?

Então, quase que me acordando de um transe, Aílton me chama:
-Morais, caralho! Me ajuda aqui com essa gorda, porra! Eu não consigo encaixar ela no caixão.
E, segurando a mulher pelos ombros, ordenei:
-Peraí. Pega ela pelos pés que vai.
E Aílton observou:
-Só ela já enche o caixão. Assim, a gente não vai usar nem um terço das flores.
-E tu vai vender o resto pra quem a essa hora da madrugada?
-Pra Nezinho, da floricultura, ele compra na boa. Ih, rapaz, tu tem muito que aprender ainda com o papa-jerimum aqui.
-Tô vendo...
Resgate II

Estamos viajando, eu e meu irmão, de ônibus. Vendo a estrada, de repente aparece um mapa de satélite, onde eu vejo uma grande avenida marginal. Identifico algumas curvas, mas não me localizo.
Entramos na cidade. Parece a entrada de um bairro de João Pessoa, com um grande campo onde poderia ter uma praça. Depois a gente aparece descendo uma ladeira e eu estou empurrando um carrinho de supermercado. Meu irmão está dentro do carrinho.
Vejo várias casas iguais. São sobradinhos e todos tem uma cor diferente. Há mulheres varrendo a frente da casa. Nessa hora sinto vontade de voltar a ser criança. Vejo na mulher a minha mãe. Entramos em uma rua e vimos uma turma de torcedores vindo na nossa direção. Pessoas na rua, nas portas de casa. Sentimos que chamamos atenção. As meninas olham.
Encontramos a nossa casa, e na frente há pessoas arrumando tudo. Mas Catarina está chorando e eu observo que sempre a encontro chorando. Coloco-a no colo, faço umas gracinhas e ela sorri.
Essa é a minha nova casa.

Sonho resgatado de um bloquinho velho.
Resgate

Caiu na língua da Maria Fuxiqueira
Fuxico da Maria é perigoso
Fuxico da Maria é poderoso
Se você cair na língua dela
Você cai na boca do povo
Ela fala de mim, de você
E de qualquer um

Carnaval de São Luis do Paraitinga - 2003

De Márcia Ribeiro, a "Mama".