quinta-feira, 23 de setembro de 2004

Presença

A tua voz
Entrou nos meus ouvidos
E não saiu da minha cabeça
Então virei para te ver
Agora a tua imagem
Pude gravar
Som, imagem, luz
E te tocar?
Não, não é hora
Fiquei só a imaginar
Começamos a dançar
E eu a tentar te seduzir
A te ouvir, a te olhar
Chegar mais perto
Sentir o perfume
Tentando te seduzir
Te beijar
E, sem perceber
Flutuar
Olhar e nada ver
Ficar surdo
Me perder
No teu amor
No teu ser

Sonho

No sonho eu vôo
No sonho eu nado
Eu corro
Eu venço
No sonho eu vivo
No sonho eu não peço, recebo
Eu mando
Eu falo
Eu digo, não calo
Eu volto, também fico
Fico aqui e em qualquer lugar
Sou feliz, aqui ou lá
Tenho tudo e todos
Ora um, ora outro
Mas todos perto, acessíveis
No sonho é fácil
Meu sonho é digno
Mas é sonho

Eu Querer

Quero te ter
E te beijar
Compor, cantar
A terra, a água, o mar
E te sentir
E te abraçar
Te ver sorrir, gritar
E me bater
E me apanhar
E me dar
E de mim tomar
E me expulsar
Depois chamar

Quero te ver
Se espreguiçar
E me abraçar
E me morder
E me beijar
E me sorrir
E me deixar

segunda-feira, 6 de setembro de 2004

Chuva verde (21 de abril)

-Palmeira! É o Palmeira! É o Palmeira!
-Capa de chuva! Olha a capa! Olha a capa!
Eu moro em uma esquina onde, em dias úteis, carros e ônibus me acordam sem piedade. Em dias de jogo, toda aquela área ao redor do Parque Antártica fica infestada de flanelinhas, vendedores ambulantes, carrinhos de cachorro-quente, e claro, torcedores.
A chuva veio em hora bastante oportuna, abafando todos os ruídos que circulavam a minha cama. Lá, eu fiquei até enjoar - por volta das 18h00. Normalmente, eu consideraria aquele dia morto, quase inexistente mas, não, eu precisava daquilo. Precisava esquecer a roupa para lavar, casa para limpar, banho para tomar. Comer, eu precisava comer. Então, levantei.
-Você tá bem? - me perguntou Álvaro.
-Ótimo! - respondi.
Depois, veio novela, telejornal, música, Tiradentes, pizza fria e, ao final do meu longo dia, um beijo de Carolina.