Mas uma infiltração na parede do depósito de casa, onde eram guardadas as caixas de gibi, deu fim a quase todo o acervo do meu pai. Restaram apenas três revistas para, literalmente, contar história: três exemplares de Tex, que eu guardo até hoje.
Eu, na verdade, não era grande fã daqueles quadrinhos - eram centenas de gibis em preto e branco, não muito atraentes -, pois o meu negócio, na época, era Turma da Mônica e algumas coisas da Disney. E foi assim até o dia em que eu ganhei, do meu pai - e só podia ser dele -, o meu primeiro gibi de super-herói.
Sem saber, ele me deu uma edição histórica do Homem-Aranha, em que Peter Parker pede a mão de Mary Jane Watson em casamento. Ele não podia ter escolhido melhor edição e melhor personagem para me trazer, definitivamente, para o mundo das HQs.
Depois de consumir tudo o que eu podia do mercado americano, foi a vez de voltar às produções nacionais: Piratas do Tietê, Geraldão e Chiclete com Banana. Nessa época, eu já começava a iniciar o meu filho mais velho - este que lhes sorri, vestido de Batman, aí do lado -, que era ainda criança e, como toda criança, se deliciava com a Turma da Mônica.Gradativamente, na família, a leitura de quadrinhos vem aumentando: eu leio mais que o meu pai e menos que o meu filho, proporcionalmente. Um hábito mais do que saudável, ao contrário do que diziam educadores e pais, 50 anos atrás, quando argumentavam que as HQs eram nocivas à formação do caráter do indivíduo, que incitavam ao crime e outras bobagens.
Agora, é hora de abrir estradas. Como qualquer leitor de quadrinhos, eu sei que há um mundo de coisas interessantes - outras nem tanto - a descobrir. O mundo todo lê e faz HQs, para todos os gostos, credos e idades. E eu estou descobrindo esse mundo à medida em que leio algo novo, seja numa feira, num sebo ou por indicação de alguém.
HQ é, também, leitura de adulto. Basta procurar o que mais lhe agrade e acrescente. Tenha uma boa aventura literária.









